Quando minha avó se casou, o marido de Dinda faleceu. Deu-se então que Dinda foi morar com meu avô e minha avó. Me lembro que ela era muito dedicada com os serviços domésticos, lavava tudo, cozinhava muito bem e não deixava que ninguém a ajudasse. Era uma boa pessoa, apesar de educar com certa frieza minha avó – o que rendeu e ainda rendem várias histórias de palmadas e situações constrangedoras que minha avó conta.

Incrivelmente, talvez por esse costume meu, antes de falecer, minha avó me disse que ela falara muito em meu nome, perguntara muito de mim. Mas como ela estava com a cabeça um pouco atrapalhada, ela falava como se eu ainda fosse um bebê. Minha avó então comprou-lhe uma boneca. Ela cuidava e ninava essa boneca como se fosse eu.
Lembro de uma vez em que a peguei fazendo carinho na boneca. Perguntei : “Dinda, quem é esse bebê que a senhora tanto faz carinho?”, e ela respondeu: “É a Vanessinha, olha que lindinha...ela não sabe, mas é um anjo. Um anjinho que veio para trazer muita alegria pras pessoas” – e tascou um beijo na testa da boneca.
Eu sorri, agradecida, passei a mão nos cachinhos brancos dela e saí do quarto.
Hoje parei pra pensar nela e me lembrei desta e de outras coisas, e talvez pelo fato de ela ter dito o que disse, inconscientemente eu esteja sempre procurando uma forma de fazer as pessoas sorrirem, sempre!
Até hoje, quando vou visitar meus avós, passo no quarto da Dinda e digo: “Oi Dindinha!"
“Obrigada! Quero que a senhora saiba que eu estou fazendo o possível para cumprir o meu papel.”